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Posse de Trump Avanços ou Retrocessos

  • Foto do escritor: Luiz Gonzaga Martins Coelho
    Luiz Gonzaga Martins Coelho
  • 13 de mar.
  • 3 min de leitura

*Luiz Gonzaga Martins Coelho

 

O início de um governo é sempre um marco que sinaliza a direção a ser seguida durante os anos de gestão. E, quando se trata de uma das maiores potências globais, como os Estados Unidos, o impacto ultrapassa fronteiras, influenciando o cenário político, econômico e social mundial. Por isso, é impossível ficar indiferente à posse de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos e aos primeiros atos de sua nova administração, que já evidenciam a dimensão e a controvérsia de sua gestão, fiel às polêmicas promessas de campanha.

Logo no primeiro dia, Trump concedeu anistia aos invasores do Capitólio, gesto que, para muitos, reforça o discurso de intolerância e polarização que marcou sua trajetória política. Em outro ato controverso, anulou 80 medidas editadas por seu antecessor, como se buscasse apagar rapidamente as marcas de uma era recente, imprimindo, a toque de caixa, sua própria visão de governo.

Mas talvez o ponto mais simbólico — e igualmente polêmico e preocupante — tenha sido o anúncio da retomada da Gloelândia e anexação ao canal do Panamá, decisões que remontam a antigas disputas geopolíticas e reacende o debate sobre soberania nacional e interesses estratégicos globais. Ao mesmo tempo, Trump anunciou uma política migratória rígida, alheia aos princípios constitucionais e aos direitos humanos, prevendo o retorno forçado de refugiados de diversos países, reacendendo o drama humanitário que já permeia a história recente dos Estados Unidos e do mundo.

Essas medidas, de caráter expansionista e potencialmente violadoras do direito internacional, ameaçam a estabilidade geopolítica e a paz global, podendo desencadear crises diplomáticas e conflitos de grandes proporções.

Em meio a esses movimentos, uma declaração infeliz do presidente americano ganhou repercussão global: ao afirmar que “os Estados Unidos não precisam do Brasil, mas é o Brasil que precisa deles”, Trump adotou um tom autoritário e arrogante, desprezando a importância das relações bilaterais e ferindo os princípios dos pactos internacionais de respeito e cooperação mútua. Essa afirmação, para muitos, foi interpretada como uma resposta às declarações igualmente infelizes feitas anteriormente pelo presidente Lula e pela primeira-dama Janja durante a campanha eleitoral e na reunião do G20 realizada no Rio de Janeiro.

Outro episódio inédito e constrangedor aconteceu esta semana na Sala Oval da Casa Branca: durante uma reunião conflituosa com transmissão ao vivo, onde o presidente da Ucrânia foi submetido a uma situação embaraçosa, gerando críticas à postura desrespeitosa de Trump.

Passados 30 dias de seu novo mandato, a impressão que se tem é de que o presidente Trump ainda não desceu do palanque. Sua postura tem se mostrado marcada pelo desrespeito à soberania de países vizinhos e por uma indesejável incitação a uma guerra comercial que em nada beneficia a população americana.

É fundamental que chefes de Estado mantenham a compostura e ajam à altura da grandeza dos cargos que ocupam. A diplomacia exige moderação, respeito mútuo e compromisso com o diálogo, pois as relações internacionais não devem ser prejudicadas por posturas inadequadas ou declarações impulsivas.

Como cronista e observador atento, sinto-me desafiado a analisar este momento que já ocupa as páginas da história. Não se trata apenas de política internacional, mas também do reflexo de um mundo em transformação, onde líderes se tornam símbolos de ideologias e cujas ações têm o poder de moldar narrativas — para o bem ou para o mal.

Se os primeiros atos de Trump indicam o tom de seu governo, o que mais podemos esperar? Este início de gestão nos convida a uma reflexão sobre os valores que desejamos ver prevalecer no cenário global: a união ou a divisão, a paz ou a guerra, a construção de pontes ou a imposição de barreiras. Estamos, sem dúvida, diante de um capítulo de desafios e incertezas, que merece ser acompanhado com olhos críticos e mente aberta.

É imprescindível que a comunidade internacional se mantenha vigilante e busque, por meio do diálogo e da cooperação, evitar a escalada dessas tensões.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Promotor de Justiça, titular da 45ª Promotoria de Justiça Especializada da Infância e Juventude do Termo Judiciário de São Luís/MA, ex-Presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Maranhão – AMPEM, ex-Procurador Geral de Justiça e membro da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares – AMCLAM.

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